
Viestes a mim como a chuva que não é esperada, que por meteorologista algum é anunciada
e devo adimitir que pouco antes de sua chegada eu até avistei umas nuvens no horizonte
estava planejanto praia pro dia seguinte, viagem e muita curtição... mas sua chegada mudou meus planos todos
E foi de repente que o sol foi escondido por sua presença, o céu foi tomado por você
Naquele dia meu céu era você...
E eu levei guarda chuvas, capa e me preparei pois já ventava forte
mas os ventos não te moviam...
Foi quando a primeira gota atingiu o polegar da minha mão esquerda
e num reflexo mais que espontâneo, eu puxei o guarda chuva e o abri
e as gotas caiam preguiçosas, escurecendo o cimento e escorrendo pelas folhas das árvores
E ali onde eu estava eu parei, e fui invadido por uma inveja que só sou capaz de adimitir aqui nestas letras para as quais eu não tenho segredos...
E por esta inveja daquele mundo molhado por ti é que eu fechei o guarda chuvas, tirei a capa e deixei você escorrer por sobre mim
Tomando posse de cada parte de mim, descendo pelos meus cabelos, rosto, boca, pescoço, peito, barriga, coxas, pernas, pés... sombra...
E eu e você mesclados naquele momento, molhados...
Até que você se foi, e meu mundo continuou nublado
por essas nuvens leves, que não vão embora nem desabam sobre nós
apenas impedem a luz de me alcançar, o sol de me secar...
e agora, o que resta de você em mim só me causa uma coisa...
Frio...
[PH]elipe R. Veiga