sábado, 21 de março de 2026

Sem título.



Eu não faço a menor ideia do que fazer. Há uma perturbação intensa na minha alma. Uma insatisfação perene com tudo e todos. Uma vontade de apertar Eject de todos os âmbitos da minha vida. Eu não sei contornar o cansaço. A nostalgia. A frustração das promessas não cumpridas. Eu não sei navegar a confusão dos meus pensamentos. Eu não sei me livrar da embargada vontade de chorar cada vez que me toca uma tristeza silenciosa que roda em segundo plano na minha cabeça. Essa vontade de estar só e essa dor por sentir tanta solidão. Esse refazer caminhos sem esteio, de ser essa correnteza sem margem. Esse choro sem olhos dos quais escorrer-se. E essa sensação de inadequação? De que me quebraram em definitivo. De que estou defeituoso, outra vez. Esse desejo de se livrar, de se desembaraçar, de se descompatibilizar com tudo. De dar a todas as gente a paz da minha ausência e de ter eu também a paz da ausência de mim, sabe-se lá de que maneira. De me ver feito uma rolha que boia num lago sem ondas. Imóvel e inamovível. Ancorada na imobilidade tão próprias das coisas inanimadas. E assim vou, num quarto que não é meu, numa cidade que não é a minha, invejando cadeiras, talheres, pés de mesas. Invejando o não ser das coisas que são apenas sem se saberem sendo. Enquanto resto, enquanto me percebo, enquanto me sei sei lá o quê, vou ficando aqui. Invejando e buscando a porta de saída. 


São Paulo, 21 de março de 2026. 

Phelipe R Veiga

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