sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

"Eloucubrações"




Em algum lugar nos últimos anos eu me desencontrei de mim. Não me acho. O tempo todo penso na idéia de quem eu deveria ser como se houvesse maneira de ser diferente do que realmente sou. Verdade é que há uma parte de mim que ainda sonha (de vez em quando), e é por estar constantemente a sonhar que estou mais do que convencido que encontra-se em profundo sono. O resto é realidade cortante. Meu desejo é uma sangria verdadeira, dói. Mas por alguma estupidez inexplicável ou senso de cuidado nada saudável eu subo em um palco montado as pressas e uso minha dor verdadeira pra entreter os meus amados como se fosse pura atuação. Fato que metade de mim dorme e a outra metade sangra, e isso já não se sustenta. Há um sei lá o quê com os dias contados, estou com medo... em breve serei Eu.

Phelipe Ribeiro Veiga
04 de Fevereiro de 2011 - 22:54

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Vigilante Ignorado (Devaneios)




Hoje não houve no céu uma estrela sequer que não me ignorasse. Elas ficaram lá, piscando como que ameaçando apagar. Atemorizo-me só de pe(n)sar...
A lua? Esta nem no céu estava tentando evitar olhar na minha cara erodida pela vida. Foi-se. O sol está por aí dando atenção a outros amores... e eu aqui abestado olhando pro céu vigiando pras estrelas não apagarem. Tolo. Estou contido na vida tal qual um furacão está contido nos céus, que existe despreocupadamente, afastado de qualquer sentimentalidade, ignorando-me por completo. A vida fez pouco de mim, e eu tenho tentado me fazer mais um pouco na vida... e a vida? Ela fez pouco de mim. Ela vai sem mim, ela me deixa pra trás, ela não me liga e nem questão de minha presença ela faz. Ela me ignora. E eu? Eu se pudesse também ignoraria-me a mim, e um dia hei de fazê-lo. Mas por enquanto não, por enquanto não dá... preciso vigiar as estrelas... e espero que uma vez na vida ainda evite alguma delas de se apagar.

Phelipe Ribeiro Veiga
01 de Fevereiro de 2011 - 22:07

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Epitáfio de 2010 (O saber equivocado)




Numa casa de espelhos me vi
imagens de mim diferentes de mim
Des-Conheci-me.

Aprendi que há em mim estações quentes e frias, florescimento e frutificação.
Aprendi que tenho em mim desertos e jardins, reinos de trevas e de luz.
Aprendi que sou dono de vida e de morte (em meu coração)
Aprendi que existe guerra e fome, e festa e celebração
tenho conhecido um mundo inteiro dentro de mim.
Tenho me conhecido, me aceitado, me entendido, me confortado...
Aprendi que há em mim alguns lugares que jamais foram explorados
e outros que já foram tão explorados que não cabe mais ser habitado,
e estes deixarão saudades eternas.
Aliás, conheci minhas saudades, meus erros (os quais alguns deles seguirei errando, pois sou o que sou, e mais ainda... o que quero ser)...
Aprendi que saúde e paz não é um desejo, é uma construção.
Aprendi (e tenho aprendido) a importância do sossego,
e tenho convivido em revolta com as vicissitudes do apego.
Aprendi que a morte me assusta sim, principalmente quando é a dos outros que amo,
Aprendi que a perda é o preço de todos os ganhos, como o adeus é o desfecho de todo encontro.
Aprendi que amar é uma coisa que nunca se saberá fazer, aprendemos muito tarde, e o amor não dura tanto assim, não dá tempo. E por falar em tempo, aprendi que o tempo não dá tempo, mas nos dá tantas outras coisas, tantas reviravoltas e idas e vindas...
Sobre o amor, aprendi que nossos corações não tem olhos, eles tateiam o universo a cada pulsar, e as vezes nos esbarramos, e ao contrários de nós, tolos homens, nada no universo intenta o pra sempre, tenho aprendido isso com as folhas que secam, os dias que se põem, os anos que passam, com todo o universo...
E sigo assim aprendendo e reaprendendo, construindo e desconstruíndo tudo isso, achando-me constantemente equivocado sobre todas as coisas...
Aliás, por falar em equívocos, aprendi que não sei absolutamente nada sobre mim,
vivi numa tribo miúda achando que habitava o maior império da terra, mas como meus ancestrais, vieram fatos de além dos mares trazendo consigo sustos e sobressaltos, e muitas novidades, eu estava errado...
errado sobre a unica coisa que certamente sempre estarei errado...
estava errado sobre quem sou.

Até breve.
(Sempre) Com amor...

Phelipe Ribeiro Veiga
30 de Dezembro de 2010

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Reflexões de Fins de Ano




Hoje vejo-me, e mais, me olho nos olhos. Não é que eu não saiba amar, visto que essa é uma daquelas coisas que se aprende fazendo, mas é que eu não sei se quero. Rejeito e resisto ao amor feito um cão resiste a coleira, mesmo desejando ardentemente o passeio, mas por que a coleira? Desejo tanto o afago atrás da orelha quanto rejeito a coleira. Penso na angústia do amor que dá certo. Vivemos a lamentar nossos fracassos amorosos... Mas e se der certo mesmo? Meu Deus! Ser feliz é tão assustador! Saberei ser feliz? E você? Saberia? Penso-me tão jovem pra ser feliz pra sempre, mas quando é que me verei velho? Acaso também não me pensarei velho demais daqui a um tempo? Será que a tentativa não deixou espaço pro sucesso? E minha poesia? Sei fazer a dor rimar com a angústia, saberei rimar alegria com felicidade? Sobreviveria a poesia em mim? Porque não escondo, entre eu e o poeta, escolho facilmente o poeta. E agora José? E agora que a festa não acabou? Que fazer? 14:33



Não há outra maneira. Sou um estranho, feito um sapato para uma espécie de pé que já não nasce mais. O caos do mundo me invade, o passo constante dos ponteiros é o som do caminhar tranquilo da morte vindo em minha direção e já não há saída. Passei vinte três anos e alguns dias nesse mundo e em todo esse tempo não encontrei um lar sequer, não há uma calma que meu coração abrace, uma cama em que meu corpo descanse, um abraço em que minha inquietude se abrande. Concluo assim... Pra mim nesse mundo não há lugar, pra mim não há a possibilidade de par. E aos passos distantes da morte que se tornam cada vez mais audíveis eu vou me tornando cada vez mais esquisito. Sou um estranho cheio de silêncios até para os meus mais íntimos. Que fazer? Desespero-me calma e silenciosamente, e sediciosamente tento me juntar a isso tudo e fazer desse caos algum tipo de paz. Sou... 14:18



PHelipe Ribeiro Veiga

28 de Dezembro de 2010

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O que eu sou?


O que eu sou?
O que eu sou?

sou um barco a deriva
constantemente se afastando do cais
sou um sol sempre a se por
sou uma atitude impensada
que já não se desfaz
sou uma alegria que insiste em ser dor
sou um campo de batalha
invadido de paz
sou um poema que não se sabe rimar
sou um poeta que esqueceu o que é o amor...
sou um segredo a se sussurrar
sou uma história que se abandonou
porém... todavia... entretanto... eu sou...

Phelipe Ribeiro Veiga
30 de Novembro de 2010 - 21:53






...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Pena

Foto: Phelipe Veiga


Eis a pena do poeta...
a ser cumprida,
pra escrever
e ser distribuída por aí e sobre si...

Eis a minha pena por e para ser poeta...
Minha sentença que compõe meu poema e minha condição...

Ser assim na metade, meio homem meio coisa sem nome, ter esse coração assim, feito um labirinto que não tem mapa e nem sinal de saída, ter que admitir o que minto, ter que rimar o que sinto e acabar feito página rasgada e pisoteada como folheto em final de carnaval. Em minhas veias corre um vinho tinto que tem a minha idade, que justifica a embriaguez permanente de minh'alma. Sob meus pés há um mundo a girar e parece que só eu me dou conta disso, por isso a realidade das coisas me deixa assim... tonto. A minha sombra me persegue, e a luz do sol refletida no mar persegue meu olhar... por isso alimento (assim como todos os poetas) o sentimento glutão de achar que sou algo além do que um ordinário homem no mundo.

Que lástima essa pena, essa sentença que foi promulgada por um juiz que não seria outro senão minha própria alma, apoiado por um júri composto por todas as pessoas que compõem quem penso que sou, fui acusado de matar a realidade, de cometer o crime de querer semear rosas em um pântano. Incomodei os crocodilos meus irmãos. Agora cá estou, cumprindo pena debruçando-me sobre minha pena com pena de todo o mundo...

Quantas penas terei de juntar
pra montar asas
e fugir daqui voando pra outro lugar?
Quantas?

Phelipe Ribeiro Veiga
24 de Novembro de 2010 - 13:04

domingo, 7 de novembro de 2010

Carta para o Imperador



Sinto o teu mundo tão grande que me sinto pequeno nele. É tanta gente, tanta coisa, tanto lugar... haja ser pra ser alguém nesse teu mundo vasto, extenso, desconhecido por meus olhos. Fico caçando no teu olhar algum vestígio de tudo isso que me faça maior um poquito que seja, pra que eu não me sinta tão miúdo. Faço caras e bocas pra que minha pequenez te encante, e quer saber? Não sei se encanta! Penso em te oferecer um poema, mas você não gosta. Penso em te oferecer meu beijo, mas você não quer. Penso em te oferecer meu abraço, mas o calor te incomoda. Penso em te oferecer meu tempo, mas você está ocupado. Penso em te oferecer dinheiro, mas você não precisa. Penso em te oferecer meus olhos, mas eles te constrangem. Penso em te oferecer minha companhia, mas você não está... não está... Mais do que longe está distante. E eu fico ali pra mais um lapso de proximidade, que hora sim hora não ocorre. E o dilema que vivo é te pedir o que pode me desafogar (ou afogar) ou te deixar partir sem saber se vais voltar... o que você iria querer se pudesses escolher? Ao puxar-te pra perto posso mesmo é te afastar, mas se não puxar-te pra perto, vais seguindo à deriva, pouco a pouco a se distanciar. Vais... de todo jeito.
No fim o que sobra é o que sobra, somente eu, calado, inócuo, de olhos furtivos, de lábio seco, de peito apertado dizendo-te adeus... de novo... até que você volte pra se despedir mais uma vez.

E assim calo (n)a garganta. Calei-me.
E vez após vez terminamos sozinhos
e o pior... a sós. Está bom pra você?

Phelipe R. Veiga
07 de Novembro de 2010 - 05:47 am

PS: ...

------------------------------------------------------------------------------

"Ó minha amada
Que olhos os teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe dos breus..."

Vinícius de Moraes

--------------------------------------------------------------------------------------

"O que é felicidade pra você?"

Vanilla Sky


Sobre amar os covardes.

É difícil amar os covardes.  E não é que não tenham seu apelo. Suas famílias funcionais, suas declarações contundentes, suas carreiras estáv...