Ó tu que tens nas mãos, sob os diversos sentimentos que se renovam a cada página inda não lida. Não repares se a forma é apurada ou se a métrica foi talvez torcida, olhe somente a Vida nos meus versos que a Vida do meu verso - é a minha vida" (Vinícius de Moraes)
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quarta-feira, 6 de junho de 2012
Sobre o engano do amor.
"Quem nunca foi enganado, jamais amou..."
Afirmo isso sem temor algum de equívoco. Pois o que é amar senão extrair da Vida o que ela não tem pra dar? Achar no objeto de nosso amor tudo o que ele jamais será? Encontrar num olhar mais do que córneas e carne e fibras (O que de fato são)?
O tolo ama, o sábio se entorpece, e se fazendo tolo, pode vir a amar.
Quanto mais sábio é um homem, mais ardiloso deve ser seu coração, mais esperta deve ser sua imaginação, mais lógica deve ser sua mentira, caso contrário não há amor viável.
Eu temo por meu coração, pois quanto mais conheço da Vida, mais inconcebível ela me parece, como costumava pensá-la quando ainda a pensava. Hoje eu a vivo, e nada é como deveria.
O amor não existe senão na ignorância de uma enganação, espontânea ou não.
A tola ideia de necessidade, a ilusão de completude e entendimento, a sensação de casa no abraço, a sensação de apreço no afago, e então, como passos dos dedos sobre areia fina, isso tudo se desfaz, e o que fica na lembrança não é o que tivemos, nem o que pensamos ter tido, nem o que sonhavamos ter, trata-se de uma nova mentira.
O amor renova-se de mentira em mentira...
Quem não se permite perder-se não ama jamais, quem não permite-se enganar-se, não ama jamais.
E assim sendo, abençoo a minha ignorância, e seu preço de sangue... o qual pago enganosamente... satisfeito.
Phelipe Ribeiro Veiga
06 de Junho de 2012 - 22:03
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Sobre flores artificiais.
Tudo em mim é visceral!
O fato puro e simples é que minhas ondas não são artificiais, elas tem temperamento e temperatura. Meu sangue não corre, aposta corrida, meu coração não bate, faz batucada, meus poros não suam, eles choram de comoção, eu não tenho febre, faço verão. A verdade é que até minhas mentiras são todas, cada uma à sua maneira... de verdade. Nada em mim é estático ou imutável. Cultivo em mim sempre a viabilidade de muitas instabilidades, que é pra me garantir vitalidade. Meus jardins são todos de verdade. Tudo neles nasce, cresce, floresce e perece... pra nascer de novo num novo arranjo com novas cores e odores. Para isso carrego em mim uma porção de Morte pra tudo que sinto e vivo. E é de tanta vida que um dia hei de afogar meu jardim. As pequenas pitadas de Morte que carrego hão de ser feito o sal que se acumula em alta pressão, e te encaminham pro "em vão" de todas as coisas que são.
Todavia terei me valido de jamais ter tido em mim uma só flor que não fosse de verdade, não tendo concebido nenhuma dessas flores artificiais desses dias ruins que temos vivido, as quais não morrem nem desabrocham, são imutáreis, todavia não tem odor, só fazem ocupar espaço, empoeirar-se e desbotar-se. Terei tido um lindo jardim...
Phelipe Ribeiro Veiga
14 de Maio de 2012 - 20:58
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