sexta-feira, 1 de abril de 2011

Pra não dizer que não falei de espinhos...




A existencia me acaricia. Chove sobre mim. A vida me rega. É assombroso perceber meus pares, já os percebo pelos olhos nos meus olhos, sei, viemos do mesmo lugar, vamos pra lugar algum, juntos, a sós. Há um lugar separado pra nós. Pros nossos nós. Minhas vergonhas já não meenvergonham mais, meus pecados já não me pesam mais. Está tudo acariciado, aceito, alocado, meu nível de auto-aceitação é tamanho que me preocupa, mas me aceito tanto que a preocupação passa, sou o que sou.


Há porém que se admitir que meu coração vacila, minha corrente sanguinea vai abrindo novos afluentes em meu corpo, sangro. Tudo em mim é claudicante, é feito dia nublado onde o sol parece se esforçar para não ficar encoberto, mas existe uma força indecisa nos céus que mantém a briga, impede qualquer vitória. É uma felação celeste, e é nisso que se espelha o meu sentir. E admito que não há verdade em mim, e antes que se aprece a me julgar em jornais, digo que também não há mentira, há apenas mais uma versão pro inexplicável do mundo. Começo na alma, termino na pele, o mais é suposição.


Sou uma rosa, meu odor se sente de longe, e eu danço com a brisa a seduzir por visão, olfato, sensação. Porém minha pétala muito provavelmente não durará uma unica estação, meus espinhos secam com o fim do perfume e da maciez, tornam-se rígidos, firo. Ao meu redor há um mar de rosas. Abaixo de mim um oceano de espinhos. Eis minha proteção, minha defesa... assim mantenho a salvo o meu coração, até que alguém insendeie o roseiral... estou são.


Sim, sou uma rosa caída a beira de um árido caminho, e te digo isso pra não dizer que não falei de espinhos.

Phelipe Ribeiro Veiga
01 de Abril de 2011 - 20:11

sexta-feira, 18 de março de 2011

"A Insustentável Leveza do Ser"



Quem sabe hoje eu não me desfaça? Talvez hoje eu pegue tudo que sou e jogue por ae fazendo graça e não fazendo questão de nenhuma desgraça que assole o mundo. Porque percebi que eu gasto tanto tempo pensando na fome... na fome... na fome... e esqueço da minha fome. Eu passo tanto tempo elocubrando sobre a vida... a vida... a vida... que esqueço de viver. Eu tento descobrir quem sou... quem sou... quem sou... e esqueço de ser.

Eis o que concluí...

Leve...


Leve toda a injúria, toda a perjúria, leve toda a tristeza, toda questão e toda presteza ou inutilidade dos fatos e das coisas, leve toda bondade e toda maldade, toda moral e imoralidade, seja, não veja, feche os olhos, ame, divirta-se, e se não te divertir mais... esqueça... e não se questione se é bem ou mal esquecer... entre "eis que ser ou não"... seja... leve... leve a maldade do passado, o medo do futuro, o anseio do presente e dê de presente ao esquecimento... leve... leve o que te pesa e seja... leve... feito pena no ar... feito folha ao vento... queime tudo e deixe subir quem és ao céu... leve... feito fumaça... feito oferenda a deus algum... leve... e essa fumaça te cairá feito chuva... leve... tenha filhos ou não... leve... case-se ou fique só... leve... seja levado se leve te parecer... porém seja leve... e quando for ver a vida passou... leve... a morte te leva... leve... e no fim, creio eu... teremos sido... felizes e leves, de tal forma que não seremos enterrados... viraremos brisas... leves.

Phelipe Ribeiro Veiga
18 de Março de 2011 - 16:36

"_Seja leve PH!" - Eduardo Oliveira (Março de 2010) =]

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Homens Galinha


Há no mundo um celeiro de orfãos. Lá há uma espécie de homem orfão de pátria, de nação, de família, de futuro e de amores. São seres orfãos por opção, seres incapazes de adequação a qualquer coisa que é porque estão envoltos pelas penas do mundo, pena da vida, dos vivos, dos mortos, dos que amam, dos que odeiam, pena de tudo (até de si mesmos), pois sentem e acreditam que tudo poderia ser muito melhor. Nascidos para chocar, suas almas são rebeldes, fazem barulho e muita sujeira, e estão chocando o mundo todo o tempo, permanecem sentados sobre o globo terrestre como galinhas a chocar ovos, a espera de que um dia ele parta ao meio e surja de dentro algo mais vivo, mais inteiro, autêntico e definitivamente melhor.

Phelipe Ribeiro Veiga

22 de Fevereiro de 2011

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Ameaças de Afogamento



Quem foi o tolo? Ambos, tu ou eu? O fato se resume brevemente, estais a lançar meu sentimento por você no mar dos seus defeitos muito prematuramente, e como meu sentimento é recém nascido já não sei se sobreviverá, ele está sem ar. A gestação do meu coração é de muitos meses e sempre é de alto risco. E agora que já é nascido, penso em eu mesmo terminar de afogá-lo.
Fato é que meu coração casou-se ainda no ventre de minha mãe com a paixão, mas já faz anos que abandonei essa relação e vivo em adultério apaixonado com a razão, e fato é que pra roubar-me dessa relação razoávelmente apaixonada há de se ter empenho, dedicação e muita compreensão e acima de tudo paciência.
Mas não, nada disso estais a enxergar. Você provocou o oceano manso do meu desejo e agora nega-se a lidar com essas ressacas? Pois bem, se há de sobreviver qualquer recém nascido sentimento no mar de seus defeitos, há de ser lançado a outro mar, encarará as ondas furiosas do meu desejo, e então veremos o que sobreviverá.

Phelipe Ribeiro Veiga
18 de Fevereiro de 2011

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O Rosto de Eros


Meu coração cresceu e aprendeu a andar, já não rasteja por ninguém. Meu amor amadureceu e aprendeu a pensar e compreendeu o que não devia ser compreendido. Desvendei o amor, e sem vendas ele vê demais. Já não me perco, fiz feito o feito de Psique, descobri o rosto de Eros, mapeei o labirinto do amor e já não me perco, e tal qual a beleza de Eros e toda a riqueza de sua história com sua amada tudo desapareceu ao descobrir de seu rosto. Ando pelo labirinto do amor (acho eu) conhecendo atalhos e sabendo bem que não há saída, o que cabe é me divertir lá dentro e aí fico pensando, que graça há nisso? Não se perder faz perder toda a graça, afinal pra quê mais serviria um labirinto ou mesmo o amor senão de pretexto para a perdição e a transgreção da razão? Não, mas a minha razão já não é mais transgredida, virou lei obedecida, e isso tá um saco! Rasguei a merda do mapa, mas quando o fiz já o havia decorado por inteiro! Agora só me resta "rimar-ginar"...

Phelipe Ribeiro Veiga
16 de Fevereiro de 2011 - 22:30

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Em Cruz Ilhado


Pois bem, te digo que aquele barulho surdo de chão oco silenciou meu coração. Agora já não passa de um compasso, um conta-tempo, um contra-tempo... um coração.E meu desejo é tudo que resta, desejando desde um morango da feira a beleza da estrela Sirius... quão extenso é meu desejo... Ele vai passeando, se esbarrando, e meu peito segue vácuo onde nem som nem luz se propagam... ele suga tudo ao seu redor e cospe em algum lugar onde ainda serei ou fui. Eu fico sentindo essa dissonancia entre o que inspiro e o que me inspira... o que respiro e o que me respira... e quem pira sou eu!
Quer saber? Não sei! Pronto.
Só me resta confessar asism minha condição...
Em cruz ilhado.

Phelipe Ribeiro Veiga
15 de Fevereiro de 2011

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Carta de Proclamação da Des-Ordem (Pré-Texto)




Estou Farto e minha revolta não tem mais tamanho! Eu ando pela rua com raiva do mundo! Esta barcaça é uma bagunça! Como pode? Nada nesse mundo é organizado. O dia e a noite vem e vão quando bem entende, um dia mais cedo, no outro mais tarde (e sem contar essa palhaçada de solstício de verão), porque não chegam na hora certa? Queria ver se tivessem que bater ponto! As nuvens se esbarram, são todas disformes, vai cada uma pra onde bem entende... e ninguém as ordena, as arruma, as orienta ou se preocupa em fazê-lo. Uma bagunça!!! Até o círculo do planeta é oval e não perfeito, a órbita? Elíptica, o que pra mim é um nome bonito pra uma tentativa fracassada de fazer uma circunferencia! Os continentes não seguem padrão algum, e os animais, as florestas? É UMA BAGUNÇA SEM TAMANHO! As arvores saem por aí crescendo sem se preocupar por onde, jogam suas folhas aonde bem entendem, e os animais comem e se comem e se espalham contruindo e destruindo como bem comanda seu desordenado instindo... e ninguém reclama a organização disso tudo...

Já do meu coração, das minhas decisões todo mundo quer reclamar, do que sinto, de como sinto todo mundo quer falar... e eu fico pensando que se vivo nessa desordem que chamam de "imagem da perfeição de deus" e "natureza" e me acham desorganizado, irresponsável, dizem que não sou pontual e que sou inconstante... será que não estou sendo... NATURAL?!

Eis um convite...

Desaperte sua gravata, deixe-se ser homem... eu por minha vez jogarei a minha fora... serei mais que homem... serei humano, abraçarei a desordem da qual faço parte e deixarei fluir o que há de imperfeito dentro de mim... o que realmente sou.


Phelipe Ribeiro Veiga
08 de Fevereiro de 2011

Sobre amar os covardes.

É difícil amar os covardes.  E não é que não tenham seu apelo. Suas famílias funcionais, suas declarações contundentes, suas carreiras estáv...